Quando preciso da tua calma pouso a mão no lado esquerdo do teu peito, sinto as tuas batidas, bebo o sangue azul de princesa que escorrega pelas tuas entranhas e oiço a voz que tanto morre na minha mente. Curiosamente, o teu coração vive junto do meu, o teu sangue dança dentro das minhas veias e a tua voz mora nos meu ouvidos.
Por isso, quando as saudades nos tentam sufocar, agarro com força no meu peito como forma de te acalmar, suplico que pintes de novo o meu coração de azul e que arrepies a minha pele com o teu canto... para sobreviver a mais uma noite, para ver o sol nascer e sentir que sou capaz de respirar, mais um dia, a tua ausência.
07 janeiro, 2012
17 dezembro, 2011
the things you love you loose III
Depois de tanto tempo sem mergulhar no céu claro dos teus olhos e tantas noites sem contemplar a lua reflectida na tua pele, amanhã é o dia. Para isso, e para muito mais.
09 dezembro, 2011
Marés vivas
O movimento brusco e inesperado das tuas ondas, tanto como todas as moléculas de hidrogénio e oxigénio que fui obrigada a engolir, continuam a atormentar o meu sono que em tempos foi profundo. Quase tão profundo qual mar de desespero em que me afogaste, nesse teu jeito tão mecânico, tão gélido, mas sobretudo, tão discreto e aparentemente inofensivo. Mergulhei nos teus braços geométricos que nunca se souberam moldar ao meu corpo, e nessa entrega simplória conseguiste causar a maior revolução alguma vez sentida pela indefesa alma que carrega todo o peso do meu corpo. Mexeste e remexeste nas minhas entranhas sem qualquer pudor, desconectaste a cabeça do coração, e usaste essa mesma linha vital, para unir o meu órgão central ao teu cérebro podre e perverso.
Cegaste-me, entupiste-me a consciência com essa tua água suja, e, aos poucos, drogaste-me o coração com produtos tóxicos - esses tão predominantes na tua figura de constituição hídrica, que é tudo, menos pura.
Fui durante muito tempo, uma extensão de ti mesmo, uma arma carregada pelos teus próprios revólveres que iniciavam uma guerra em que a vitória era sempre tua . Fui um amontoado de órgãos que assumiam qualquer forma e que sofriam as mais variadas metamorfoses consoante os teu caprichos. E o mais grave de tudo, foi a minha incapacidade de me libertar, de abrir os olhos, de me reconstituir e de me tornar uma alma completamente independente da tua.
Não fui capaz sozinha, no entanto, consegui avistar das profundezas, sinais de luzes, duas mãos estendidas e um coração de janelas abertas que me oferecia a sua estadia. Foi como um eficaz processo de reabilitação que me limpou por dentro e me esculpio de novo por fora, trazendo-me à superfície, e deixando todo um passado esquecido e enterrado, na areia húmida do mais profundo oceano de tua criação.
(...)
Contudo, ainda hoje, sentada do outro lado da costa, pisando agora areia seca, custa-me observar as tuas próximas vítimas, mergulharem de cabeça nas tuas águas, que aos olhos de cada uma, ainda parecem seguras e limpas...
02 dezembro, 2011
*
E hoje venho aqui em profundo estado de demência convencer-me que estes bichinhos , em tempos aliados à minha cabeça, às minhas vontades e amigos de tanta tinta , encontram-se ultimamente de relações cortadas com as mesmas. Desculpem o meu desleixo e o meu temporário desamor por isto... beijinhos.
28 outubro, 2011
Manhãs (...)
(...)
Manhãs de tecto pintado a magenta com grandes traços cor de lava. Manhãs de meia noite em que a lua e o sol, por escassos minutos, fazem parceria. Manhãs que me devolvem o brilho interior, mas nunca a claridade da nossa casa. Manhãs de relógio imperdoável, porém, de causa justificada. Manhãs de passos contados e cronómetro malicioso.
Manhãs rotineiras, em que tu, impaciente, sopras o teu café escaldado, formando curiosas cornucópias. Manhãs de barriga vazia e garganta quente. Manhãs aconchegantes de roupa amarrotada. Manhãs grisalhas e de aroma a homem.
Manhãs de tecto pintado a magenta com grandes traços cor de lava. Manhãs de meia noite em que a lua e o sol, por escassos minutos, fazem parceria. Manhãs que me devolvem o brilho interior, mas nunca a claridade da nossa casa. Manhãs de relógio imperdoável, porém, de causa justificada. Manhãs de passos contados e cronómetro malicioso.
Manhãs rotineiras, em que tu, impaciente, sopras o teu café escaldado, formando curiosas cornucópias. Manhãs de barriga vazia e garganta quente. Manhãs aconchegantes de roupa amarrotada. Manhãs grisalhas e de aroma a homem.
Contudo, manhãs iludidas. Manhãs fugitivas. Manhãs, agora,... inexistentes.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




